Guiné-Bissau: Denunciada anarquia institucional sem precedentes

27/09/2025 em Política

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Guiné-Bissau: Denunciada anarquia institucional sem precedentes

Os Movimentos cívicos Frente Popular, Pó de Terra e o Movimento de Defesa da Democracia denunciam “anarquia institucional sem precedentes”, que dizem estar a ser alimentada pela “violação sistemática das instituições republicanas”, Assembleia Nacional Popular, Supremo Tribunal de Justiça e Governo, facto que para organizações reveste “num ultrajante desprezo pela Constituição” da República da Guiné -Bissau.

Denuncia proferida pelos movimentos cívicos nas resoluções finais da primeira conferência “Caminhos para a Libertação”, que teve lugar este sábado, 27 de setembro, na sede social da ONG AD em Bissau, na qual organizações sociais denunciam ainda “a tentativa de legitimar o regime através da farsa eleitoral, com manobras fraudulentas que insultam a inteligência e a dignidade do povo”.

No documento, os movimentos promotores da conferência descreveram “o colapso vertiginoso do Estado, consequência da falência moral da liderança política e da captura partidária da administração pública, que sacrificou a meritocracia, a racionalidade e a competência em favor da mediocridade e da submissão”, assim como ‘a degeneração das organizações partidárias, divorciadas da ideologia e da ética, convertendo a política numa feira mercantilista de interesses obscuros e pessoais”.

“A erosão brutal das liberdades fundamentais, de pensamento, expressão, reunião e manifestação, esmagadas por uma agenda de manipulação da história e de profanação da memória da luta de libertação, incluindo a figura imortal de Amílcar Cabral, Pai das Independências; a instalação de um regime marcado por violência, assassinatos, corrupção desenfreada, endividamento asfixiante e compra de consciências com dinheiro público, minando a essência da República e ameaçando a própria sobrevivência do Estado; a execução deliberada de um plano sinistro para desmontar a democracia e o Estado de Direito; as detenções arbitrárias e prolongadas de cidadãos, alguns encarcerados há mais de três anos sem julgamento, como prova do autoritarismo vigente”, lê -se.

Os movimentos cívico críticos ao sistema político vigente no país, denunciam ainda na conferência “as constantes ingerências do regime no poder judicial, responsabilizando os juízes conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça por cada decisão que fira a Constituição e a lei eleitoral”, e relembra “solenemente’ às Forças Armadas da Guiné-Bissau a sua missão histórica de “defender a legalidade democrática”, tendo exortado na ocasião “a liderança militar a romper com a vergonhosa conivência com o regime moribundo de Sissoco Embaló”.

Os movimentos convocam o povo guineense “à mobilização patriótica massiva, para pôr termo à anarquia institucional, resgatar a República e restaurar a ordem constitucional e democrática”.

Por CNEWS

27/09/2025