Ativistas da África Ocidental denunciam confisco da vontade popular

30/11/2025 em Direitos Humanos

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Ativistas da África Ocidental denunciam confisco da vontade popular

Os Ativistas e membros das organizações da sociedade civil, defensores dos direitos humanos da África Ocidental exigem a proclamação dos resultados eleitorais que dizem declarar “o candidato independente Fernando Dias vencedor dessas disputas eleitorais, tendo vencido em sete (7) das nove (9) regiões do país”.

Na declaração conjunta cujo título “isto não é um golpe de Estado; é uma confiscação da vontade popular”, emitida hoje (30.11), as organizações signatárias consideram “ataque deliberado e inaceitável contra a soberania do povo guineense” a última intervenção do Exército no funcionamento das instituições da república.

“Após um golpe simulado, durante o qual o próprio Presidente Embaló convocou a imprensa para informá-la sobre a tomada do poder pelos militares, os amotinados suspenderam as instituições nacionais, assumiram o controle dos escritórios da Comissão Nacional de Eleições que se preparava para anunciar os resultados das eleições realizadas em 23 de novembro, e prenderam o principal candidato da oposição, igualmente presidente do PAIGC, que havia sido impedido de participar da eleição presidencial, e funcionários da Comissão Eleitoral. O General Horta N’Tam, Chefe do Estado-Maior do Exército, foi escolhido para liderar a nova “junta militar” como o novo Chefe de Estado, e o Ministro das Finanças foi nomeado Primeiro-Ministro da transição política, que deve durar apenas um ano”, descreveram.

O que aconteceu em Bissau esta semana, de acordo com os signatários, “não foi um golpe de Estado, mas uma grosseira farsa para roubar uma eleição”, questionando ainda “como pode um presidente que perdeu uma eleição fazer acordos com líderes militares para tomar o poder simplesmente para evitar entregá-lo àqueles que os cidadãos escolheram para determinar seu destino?”

“Como podemos aceitar que os resultados das eleições, considerados livres, transparentes e justos por observadores eleitorais da CEDEAO e da União Africana, não possam ser proclamados simplesmente porque o perdedor se recusa a ceder o poder ao vencedor?” questionou.

No entender dos ativistas “a CEDEAO e a União Africana não podem mais ignorar estes acontecimentos”, descrevendo que “muitas crises foram toleradas e muitas eleições foram confiscadas na África Ocidental e no continente”.

“Exigimos o retorno imediato à ordem constitucional e convocamos todos os atores políticos e sociais da Guiné-Bissau para um diálogo nacional inclusivo sob a supervisão internacional, juntamente com a libertação de todos os presos políticos”, lê-se.

Os ativistas exigem ainda “uma investigação internacional independente sobre a violência contra defensores dos direitos humanos, jornalistas e outros atores políticos, bem como a invasão da sede do PAIGC, para identificar e punir severamente os responsáveis”.

“Apoiamos firmemente o povo guineense. Recusamo-nos a aceitar o silêncio, o medo e a arbitrariedade diante desses ataques contra a democracia no continente. As liberdades fundamentais são inegociáveis e os povos da África Ocidental não tolerarão mais a anulação de um voto pela vontade de um único indivíduo”, reiteraram.

Por CNEWS

30/11/2025