Oposição aberta ao diálogo com Alto Comando Militar

27/02/2026 em Política

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Oposição aberta ao diálogo com Alto Comando Militar

A Coligação Plataforma da Aliança Inclusiva Terra Ranka (PAI-TR) e a Aliança Patriótica Inclusiva Cabas Garandi (API-CG) denunciam o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 e cobram o restabelecimento imediato da ordem constitucional na Guiné-Bissau. No Manifesto Político Nacional pela Democracia, Legalidade Constitucional e Salvaguarda da Soberania Popular, as duas coligações convocam civis e militares a mobilizarem-se “não para vingar o passado, mas para construir o futuro”.

No preâmbulo, os signatários dirigem-se a “guineenses, mulheres e homens, jovens e idosos, de todas as classes sociais, etnias, religiões e regiões”, definindo o país como “Pátria Amada” e “Terra dos nossos avós”. Afirmam que a Guiné-Bissau atravessa um momento crucial, marcado pela urgência de reconciliação fundada em valores, princípios e na verdade. Defendem que a disputa eleitoral deve ser espaço de debate plural e transparente, e não pretexto para ataque à ordem democrática com recurso às armas.

No manifesto, datado de 25 de fevereiro e tornado público hoje (27.2), as coligações acusam o ex-presidente Umaro Sissoko Embaló de fragilizar a cadeia de comando das Forças de Defesa e Segurança, promover personalização do poder, silenciar vozes dissidentes e manipular o prazo constitucional do mandato. Relatam que, após as eleições de 23 de novembro de 2025, prisões arbitrárias, encerramento de sedes partidárias e a invasão da Assembleia Nacional Popular por um autoproclamado Conselho Nacional de Transição impediram a divulgação oficial dos resultados. Afirmam que a vontade popular foi sequestrada e apelam à união das forças vivas da nação em defesa da legalidade constitucional.

O manifesto recorda que a Constituição e a Lei de Defesa Nacional impõem neutralidade política e apartidarismo aos militares, apelando diretamente ao general Horta Inta-A e a generais, oficiais, sargentos e praças para que preservem a missão constitucional de defesa da soberania e da população, e não ocupem ruas ou persigam opositores.

“Os soldados que honram a farda protegem a democracia, não a suprimem”, lê-se no texto.

Entre as medidas urgentes, as coligações exigem libertação incondicional de todos os presos políticos, com destaque para Domingos Simões Pereira, reabertura de sedes partidárias, fim da perseguição a opositores e abertura de uma negociação tripartida entre Alto Comando Militar, forças políticas das candidaturas de Fernando Dias da Costa e de Umaro Sissoko Embaló, e sociedade civil, com mediação da UA, CEDEAO, CPLP e ONU. Exigem ainda garantias de segurança para líderes ameaçados.

No documento, as duas maiores coligações reiteram o compromisso de trabalhar por reconciliação, transparência, combate à corrupção e desenvolvimento sustentável.

Os subscritores afirmam lutar por um país em que “o voto de um cidadão vale mais do que a arma de um soldado”, com militares focados nas fronteiras, economia ao serviço do povo e sociedade unida na diversidade.

“Não pedimos armas. Não pedimos violência. Pedimos apenas justiça”, concluíram as coligações que convocam partidos, organizações da sociedade civil, comunidades religiosas e cidadãos a levantarem-se em defesa da vontade popular.

Por CNEWS

27/02/2026