"Falta de oportunidades empurra jovens para o risco", denuncia ONG REJAC

12/05/2026 em Educação

Compartilhe:
"Falta de oportunidades empurra jovens para o risco", denuncia ONG REJAC

O abandono escolar, a delinquência juvenil, o consumo de drogas e álcool, a prostituição e a falta de formação técnica e emprego são os principais problemas que afetam os jovens nas regiões da Guiné-Bissau. O alerta é de Rosário Cabi, coordenador da Rede de Jovens Adolescentes e Crianças (REJAC), em entrevista concedida hoje (12.05) ao Jornal Capital News.

Para o ativista, a situação da juventude fora dos grandes centros urbanos "tem vindo a crescer silenciosamente" e compromete o futuro de milhares de adolescentes. Descreveu que o abandono escolar lidera os desafios. Pobreza, gravidez precoce, casamentos prematuros, longas distâncias até às escolas e falta de perspetivas levam muitos jovens a deixar os estudos.

"Quando um adolescente abandona os estudos, fica mais vulnerável à exclusão social e a comportamentos de risco", afirmou.

O coordenador associa o abandono escolar ao aumento de casos de roubos, violência e conflitos entre grupos de jovens. Para ele, a delinquência reflete "falta de acompanhamento familiar, desemprego e ausência de atividades educativas e recreativas".

O ativista guineense critica o acesso fácil a bebidas alcoólicas e drogas por menores de idade.

"Alguns jovens usam essas substâncias como forma de escapar aos problemas familiares, pobreza e falta de esperança no futuro", explicou e disse ainda que "as consequências incluem violência, problemas de saúde mental, acidentes e abandono familiar".

Cabi chamou a atenção para a exploração sexual de adolescentes, agravada pela desigualdade social e falta de proteção.

"A falta de condições económicas, desemprego e ausência de apoio social levam algumas jovens a envolverem-se em práticas de exploração sexual para sobreviver", disse.

O líder associativo destacou ainda que a escassez de centros de formação técnica e profissional também limita os jovens que não seguem para o ensino superior. Áreas como mecânica, agricultura moderna, informática, costura e empreendedorismo poderiam gerar emprego, mas "a falta desses centros aumenta o desemprego juvenil".

Para o coordenador da REJAC, o desemprego prolongado gera "sentimento de revolta, frustração e desespero" entre os jovens. Defende ações urgentes do Estado, organizações juvenis, sociedade civil, líderes comunitários, parceiros internacionais e famílias.

"É fundamental investir na educação, criar centros de formação profissional, desenvolver programas de emprego juvenil, apoiar o empreendedorismo e reforçar campanhas contra drogas, álcool e exploração sexual", afirmou.

Cabi ressaltou que "a juventude representa a esperança e a força de desenvolvimento de qualquer nação". E alertou que "ignorar os desafios que afetam a juventude hoje significa comprometer o futuro do país amanhã".

Por CNEWS

12/05/2026