Antropólogos guineenses organizam-se para descolonizar ciência

20/10/2026 em Sociedade

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Antropólogos guineenses organizam-se para descolonizar ciência

A Guiné-Bissau vai ter, pela primeira vez, uma associação de antropólogos. O objetivo é reforçar a investigação feita a partir do país, valorizar o conhecimento tradicional e romper com uma ciência que, durante décadas, foi pensada de fora para dentro.

A proposta foi apresentada por João Paulo Pinto Có, em nome da Comissão Instaladora. Segundo o antropólogo em declaração à imprensa no âmbito primeira reunião realizada a 15 outubro, a ideia nasce da necessidade de criar um espaço próprio de colaboração entre investigadores nacionais e parceiros internacionais.

Para a comissão, a complexidade da sociedade guineense - marcada pela diversidade étnica e cultural e por questões sensíveis ligadas à terra, à hereditariedade, à sucessão e aos conflitos sociais - exige estudos enraizados na realidade local.

"Queremos que a investigação sobre a Guiné-Bissau seja feita com os guineenses e não apenas sobre os guineenses", resumiu João Paulo Pinto Có.

Nesse sentido, a futura associação pretende trabalhar diretamente com líderes tradicionais, jovens, pescadores, agricultores e outras comunidades, envolvendo-as como produtoras de conhecimento e não apenas como objeto de estudo.

Outro eixo central é a crítica ao legado colonial na produção científica. O antropólogo defende que grande parte do que se sabe sobre a Guiné-Bissau e África foi produzido no período colonial, ignorando os saberes locais.

A criação da associação surge, assim, como uma oportunidade para promover a descolonização da ciência e da metodologia de investigação e para integrar esses saberes no ensino

A comissão acredita que esta aproximação entre academia e comunidades poderá também contribuir para compreender melhor as diferenças culturais e reforçar a coesão e a convivência pacífica no país.

Por CNEWS

20/10/2026