Fransual Dias questiona coerência de Braima Camará

19/07/2025 em Política

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Fransual Dias questiona coerência de Braima Camará

Fransual Dias, jurista e analista político, não acredita, neste sábado (19/07), ao jornal Capital News, que Braima Camará tenha chamado Sissoco Embaló de "Presidente da República" e diz que isso revela, sem dúvida, alguma incoerência política.

"De outra forma, não estou conseguindo ver como é que os dois [Braima Camara e Nuno Gomes Nabiam] disseram, há pouco tempo, que o mandato de Sissoco Embaló acabou […] e agora aparece Braima Camara a dizer que Sissoco é o presidente da República", questionou num tom de indignação. Alertando que é preciso manter a coerência política para permitir que "aqueles que nos seguem possam acompanhar a linha da nossa atuação política".

Em entrevista telefônica à CNEWS, a partir de Portugal, o jurista disse que “não pode garantir que a aproximação de Sissoco com antigos aliados possa trazer benefícios ao país”, embora admita que Sissoco Embaló "é um cidadão guineense que merece crédito".

Contudo, Fransual Dias argumenta que, porquanto, o que está em causa é a questão do respeito pelos "princípios da legalidade e democráticos", numa alusão a Umaro Sissoco Embaló, sem no entanto mencionar o seu nome sobre violação dos direitos humanos no país.

Por esse motivo, segundo Fransual Dias, “a sociedade guineense está polarizada”, ou seja, “amplamente dividida”, por várias situações, nomeadamente raptos, espancamentos de cidadãos, instrumentalização das Forças Armadas para intimidação dos opositores do regime e membros da Sociedade Civil.

"Isto é evidente", acrescentou Dias, sublinhando, por outro lado, que o Supremo Tribunal de Justiça se encontra, sucintamente, em “maus lençóis”.

Outrossim, a dissolução da ANP e o adiamento das eleições legislativas não escaparam ao comentário do analista político.

Em relação à Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, marcada com ausências dos Presidentes de Portugal, Brasil, Angola e Guiné-Equatorial, "neste momento, a presidência da CPLP passa para a Guiné-Bissau num contexto muito difícil, quer internamente quer externamente, da Guiné-Bissau face à própria CPLP", descreve.

"Estamos num contexto extremamente complicado", assim finalizou o jurista Fransual Dias.

Por CNEWS

19/07/2025