Armando Lona: “Expulsão de órgãos portugueses só surpreende Portugal"

16/08/2025 em Sociedade

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Armando Lona: “Expulsão de órgãos portugueses só surpreende Portugal"

O ativista guineense Armando Lona é de opinião que “a decisão de encerrar as representações dos órgãos de comunicação pública portuguesa (RTP, RDP e Agência Lusa) não constitui surpresa para ninguém, salvo para o governo português”, que durante esse tempo todo, de acordo com ele, “tem adotado uma postura de autêntica cumplicidade com a ditadura instalada na Guiné-Bissau”.

“O longo filme de ataques contra a imprensa nacional e internacional nos últimos anos é conhecido do grande público. Vários ataques, agressões verbais e físicas, incluindo os profissionais ao serviço dos órgãos públicos de Portugal”, lê-se na publicação de Armando Lona feita este sábado, 16 de agosto.

O também jornalista descreve na sua publicação situações críticas com a comunicação social, destacando “insultos públicos, incluindo os do chefe do regime a jornalistas em pleno exercício da profissão. A humilhação no Palácio da República da jornalista Indira Correia Baldé e expulsa do evento; ataque hediondo contra o jornalista bloguista António Aly Silva, barbaramente espancado e abandonado nos subúrbios de Bissau; duplos ataques à mão armada contra a estação emissora privada Rádio Capital, causando feridos graves, dos quais alguns ainda estão em tratamento no estrangeiro, o caso da Maimuna Bari; o ataque contra o jornalista Adão Ramalho em plena cobertura no centro de Bissau”.

O ativista guineense e coordenador do movimento cívico Frente Popular lembra “ataque contra um técnico de imagens da RTP, Agência Lusa durante uma cobertura no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira”, assim também a recente agressão que disse ser “selvática” contra o jornalista Waldir Araújo em Bissau, bem como “ataques contra 2 repórteres da Rádio Capital e um da Rádio Sol Mansi em plena cobertura jornalística em Bissau”.

“A esses factos adicionam-se ameaças, intimidações e ameaças de todo tipo contra os profissionais de informação na Guiné-Bissau. Adicionam-se ataques contra centenas de guineenses”, anotou o ativista guineense, sublinhando que “as primeiras vítimas do regime ditatorial instalado na Guiné-Bissau são jornalistas e seus órgãos, nacionais e internacionais”.

Perante esse quadro que Armando Lona disse ser “sombrio”, as questões que não querem calar, de acordo com o ativista, são “quem fez o quê para defender os jornalistas de abusos e ataques do regime contra a imprensa e o que fez o governo português para proteger os profissionais ao serviço dos seus órgãos na Guiné-Bissau no meio de variadíssimas denúncias de ataques”.

Enquanto internamente se tem assistido à resistência de cidadãos, organizações de classe, organizações cívicas e de defesa de direitos contra a agenda de absolutismo e silenciamento mediático, e contra todas as formas de agressões contra a democracia e liberdades fundamentais na Guiné-Bissau, constata-se, por outro lado, a triste realidade, de acordo com o ativista, “ambiguidade e silêncio gritantes das autoridades portuguesas perante liberdades fundamentais, ataques contra a imprensa na Guiné-Bissau, incluindo ataques contra os seus profissionais; repugnante cumplicidade das autoridades portuguesas com a ditadura vigente na República da Guiné-Bissau; diplomacia de patrocínio das autoridades a favor do regime ditatorial, numa relação duvidosa de total desprezo pelos valores e princípios que se queiram universais”.

“É esta a realidade que antecedeu o anúncio ontem de expulsão das delegações. Mais um golpe contra a imprensa, a democracia e o direito à informação”, concluiu o ativista que manifesta na sua publicação “a solidariedade incondicional a todos os profissionais nacionais e portugueses afetados por esta medida absurda ditatorial”.

Por CNEWS

16/08/2025